Aqui te faço
e te faço agora, ontem e amanhã
e em cada momento que minha pele tocar a tua, seja qual dimensão
será.
Aqui.
Agora.
Essa tão tênue linha entre a saudade o toque o riso e o depois
a escuridão do depois
esse que mais ainda assombra os medos e mói sonhos.
Maldito.
E enquanto nossas lágrimas existirem separadamente juntas
simultâneas
cada uma em cada qual solidão
não aqui, mas agora,
faz-se nós.
Nós.
Nós enozados em nossa própria saudade,
aquela que criamos, alimentamos e que quase cresce e toma tudo.
E quando tomar tudo,
destruir tudo
e mergulhar no vazio do escuro que de tão caótico se amansa,
haverá nada.
No nada, meu bem, o que nos impede?
Nós.
Nós enozados em nós.
Tão atados transpassados firmemente entrelaçados,
nós.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
Desliga esse relógio.
Você me teve. Até agora você me tinha.
E foi cego demais pra perceber que estava em suas mãos mesmo negando. Cego pra perceber que eu não ia deixar você ir embora. Não enxergou que eu te agarraria em meus braços sem deixar que você fosse pra qualquer outro lugar que não a nossa cama.
Você levantou e perguntou e exigiu e não enxergou. Não captou que se tivesse ficado quieto e deixado a minha imaginação fluir, eu manteria o teatro sou-livre-não-preciso-de-você-nem-quero-você-pra-ser-feliz e quando chegasse a hora eu agarraria e não soltaria e seria assim.
Mas você não deixou. Você me obrigou a agir de modo sensato e não deixou eu me perder nos seus cabelos e tardes e noites e silêncio e silenciamos e me-deixa-ficar-aqui-até-perceber-que-eu-não-quero-viver-sem-você.
Mas você remexeu. Você me perdeu.
E foi cego demais pra perceber que estava em suas mãos mesmo negando. Cego pra perceber que eu não ia deixar você ir embora. Não enxergou que eu te agarraria em meus braços sem deixar que você fosse pra qualquer outro lugar que não a nossa cama.
Você levantou e perguntou e exigiu e não enxergou. Não captou que se tivesse ficado quieto e deixado a minha imaginação fluir, eu manteria o teatro sou-livre-não-preciso-de-você-nem-quero-você-pra-ser-feliz e quando chegasse a hora eu agarraria e não soltaria e seria assim.
Mas você não deixou. Você me obrigou a agir de modo sensato e não deixou eu me perder nos seus cabelos e tardes e noites e silêncio e silenciamos e me-deixa-ficar-aqui-até-perceber-que-eu-não-quero-viver-sem-você.
Mas você remexeu. Você me perdeu.
domingo, 30 de março de 2014
Puro
Na minha janela você taca uma pedra
Sorri e assovia
Assovia e sorri
Manda um beijo e se vai
E de repente pela minha porta adentra
Sem mais nem menos
Fantasiado entra
E não reconheço se é máscara, carne ou osso
O que é isso, meu bem?
Seria meu bem isso?
Cada resposta por baixo do medo
Cada medo revelando a vontade.
À vontade
Sirva-se
Mas, antes, descarnavalize, meu bem
Que dentre esses confetes,
já não sei se aquilo era mesmo janela
Ou meu próprio coração.
Festa em três tempos
Cá dentro te busco
Discreta, te cato em cada canto
Não acho
Nem rastro nem farelo nem pedaço
E aplaudo.
Saída de mestre
À francesa
Como se nunca tivesse vindo
Como se da festa não tivesse aproveitado
Como se não fosse o modelo dos quadros da parede
As sombras que compõem cada junção de letra nas páginas
Os rabiscos em todo papel espalhado
Como se não fosse o ar que encheu cada balão.
Tua surpresa
Olha que surpresa!
Você nunca existiu.
sábado, 29 de março de 2014
Frasco
A esmo
Por teu corpo corro
Escorro e morro
Entre cada pedaço, quem sabe eu encontro
Te encontro
A esmo
Nunca o mesmo.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
90°
"Take me to the place where you go
Where nobody knows if it's night or day"
Onde a noite se costure ao teu olhar e o sol nunca venha te levar embora
Where nobody knows if it's night or day"
Onde a noite se costure ao teu olhar e o sol nunca venha te levar embora
sábado, 13 de julho de 2013
Retalhos.
Quando deitados na tua
cama calma pelo chá que tu me fez, ríamos deitados de banalidades implantadas
pra interromper meu choro e ouvíamos minhas músicas que claramente tu não gosta
mas me pedia pra tocar, só pra me ver sorrir e espantar minhas lágrimas doídas.
Ou então o seu olhar fugido pro meu enquanto eu dirigia aquele dia, quando eu
tentava olhar pra frente mas só conseguia esticar o olho pro lado e contemplar
você me contemplando. Era saudade. E cada instante, cada luz, eu lembro, cada
cor decor. “Tu é linda, sabia?” você falou e não, eu não sabia, por que você
fala pouco isso. Você deveria ter falado mais, eu gosto. Gosto, mas não tanto
quanto gosto da sua cara preferida, depois daquele momento preferido – você sabe
qual é. Ou quando, deitados na minha cama, com os peitos doloridos pela noite
separados, eu te leio um trecho de um livro que nos lembra e, entre risadas,
nos beijamos com sorrisos discretamente manipulados pela malícia contida nas
palavras lidas. E você põe de lado o celular em que jogava nossos jogos
estúpidos e enrosca seus dedos magnéticos no meu cabelo, puxando minha cabeça
pra perto e alternando sua boca em beijos e palavras obscenas ao meu ouvido que
entregam nossas cenas de entrega. E então me joga pra trás revelando não
saber explicar o que acontece quando está comigo – só que é muito bom e que
nunca sentiu coisa melhor.
Parece que uma bolha de mágica se forma quando
estamos a menos de um metro de distância um do outro, unindo nossos corpos,
pensamentos e vibrações numa intensidade que mexe com tudo que eu sou. Poderiam
esses relatados serem apenas cinco minutos diferentes de dias diferentes. Mas,
ao teu lado, são retalhos de uma vida. Apesar da dor, do silêncio, do desespero, da lágrima e do peito rasgado, quero te acertar de que ainda penso em suavemente tocar teus lábios desejando boa noite, beijar teu rosto dizendo que te amo e me aconchegar entre teu pescoço e teu peito, acariciando teus cabelos e tendo a certeza de que nos pertencemos incondicionalmente para sempre. Tua, sempre tua. Mesmo longe.
Carta sem data
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Nós enosados no chão pertencentes à nós enosados no céu
Quando eu entro no teu quarto ou caminho pelo meu e vejo no chão coisas que te tem e ao mesmo tempo são parte de mim,
mas que eu não posso simplesmente recolher e levar embora quando você me mandar
embora por que são também suas. E nem te devolver, por que são também minhas. E
isso é o mais triste. Coisas que se tornaram nossas e não adianta trazer ou devolver,
pois não é mais só meu e não é mais só seu. É nosso. E cada vez mais essas
coisas crescem e me atormentam, no escuro, no claro e no óbvio, e são camisetas, são casacos, são livros, são CDs,
presentes, alguém desconhecido que me esbarra, uma nota fiscal na carteira, um filme aleatório na TV, um cheiro que vem quando eu abro o armário e encontro uma roupa lá no fundo, olhares,
sentimentos e dores. São tudo. E é tudo tão nosso que eu nem mais ser sem isso.
domingo, 30 de junho de 2013
anos ímpares
são anos vítimas
anos sedentos
de sangue e vingança
todo gozo será punido
e o deserto será nossa herança
anos ímpares
são sarampo ínguas cataporas
bocas que praticam
tacos e cacos de línguas
lixos onde mora a memória
são sarampo ínguas cataporas
bocas que praticam
tacos e cacos de línguas
lixos onde mora a memória
muda a regra, muda o mapa,
muda toda a trajetória
num ano ímpar,
só não muda a nossa história
Paulo Leminski
muda toda a trajetória
num ano ímpar,
só não muda a nossa história
Paulo Leminski
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