Tem instantes que tudo que eu quero é me fugir pro lugar mais confortável do mundo.
A vida é encantadora, mas as vezes meus monstros não me deixam perceber isso com muita clareza. Eu não moraria no cheiro da tua barba. O encaixe perfeito entre teu pescoço e meu rosto é a parte que mais gosto do meu dia. Mas se eu morasse ali, talvez se tornasse comum. Cotidiano. Normal. Quando meu nariz resolve visitar teu cheirinho em um dos seus ataques maníacos-sovieticos, pode notar, ele não aguenta muito mais de um minuto. É muito bom. E é tão bom que eu morro de medo de ser sufocada por um cheiro tão hipnotizante, tão teu, tão meu-deus-como-eu-te-amo que eu nunca mais possa dar uma visita sem sentir esse frenesi de novo. É como uma droga. Eu não quero morrer de overdose. Eu não quero que meu organismo se acostume e o efeito se perca.
O cheiro da tua barba é o melhor lugar do mundo. E é por isso, exatamente por isso, que eu não moraria nele.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Sobre doar encantar segurar enganchar amarrar
Doa
E doa sem dor
Sem apego
Sem peso, sem recompensa
Só doa
Como quem quer só sorrir ao sorrir meu.
É belo o jeito que nota
Nas entrelinhas das linhas que escorrego e nem percebo
E em cada canto da casa deixa escapar um pouco do detalhe
que pescou de mim.
E encantada canto
Nos rodopios da minha mente
O quanto me encanta
Esse teu doar sem dor
Sem peso, sem recompensa.
É seguro
E te seguro
E se te solto, logo tropeço
Aos berros
Pra te enganchar de volta.
Quando de cima daquela roda-gigante desatei os nós e saltei
os medos
Teus medos
Meus medos
Nossos nós,
Ainda não saberia que, um dia, nos ataria tão uniformemente
bagunçados
Assim do nosso jeito
De, sem amarras,
Se amarrar todo dia.domingo, 9 de novembro de 2014
É você colorindo tudo por aqui
Instante.
Se cada momento fosse um toque e em cada toque coubesse uma
vida
Uma vida na qual olho para o lado e te enxergo caminhando em
minha companhia
Sua presença que me abraça apenas por simples existir
E me segura de que tudo permanecerá tranquilo. Mesmo em meio
ao caos.
E você adentra minhas escuridões e passa por minhas traças.
E traços. E traga.
Traga o silêncio ao burburinho, e traga a fumaça que se
espalha pelo ar pesado misturando-se à angustia que se respira por aqui. E tudo
pára.
Cá dentro todos te olham e as máquinas lentamente vão parando e há
aquele entreolhar geral em que internamente se indagam sobre você
E você caminha devagar olhando em volta, provavelmente meio
curioso e espantado mas isso é o que eu acho e eu sempre acho errado – o que
encontro é sempre melhor.
E nesse meu mundo de transtorno você vira o centro, até as
árvores param de se entregar ao vento
E se entregam a ti
Ao teu sopro
E caem aliviadas
Assim como meus muros se despencam lentamente ao te olhar
Ao teu olhar.
Talvez você não veja nada, é escuro por aqui
Meio complicado e os caminhos mais se assemelham a
labirintos teimosos subterrâneos que levam ao mesmo lugar
Mas com um pouco mais de tempo há tempo de sobra pra você
conhecer a história de cada pedra chutada ao chão.
Deslizando por meus tuneis você me inquieta
Me remexo ao passo em que sou surpreendida pelo raio de
sol que adentra pela janela
E suspiro.
É você colorindo tudo por aqui.
domingo, 31 de agosto de 2014
Sabe
Esses dias ele acendeu o cigarro e me passou, eu traguei e me sorriu perguntando: “é ele?” Soltando a fumaça e a certeza, respondi: “é ele.” Era você. Você quem eu sempre quis ter ao meu lado sem nem ao menos conhecer sua existência. Sabe, eu ontem te escrevi. O relógio já marcava a madrugada que eu gosto tanto mas geralmente não enfrento por preferir dar aos sonhos a responsabilidade de trazer os monstros do que arrastá-los pra cá eu mesma pelo braço. Te escrevi e pus pra fora toda angustia que me ansiava, sem pensar formular ou ajeitar semântica. Foi bom. Te escrevi e apaguei, não enviei, por medo de te sufocar por todos os lados com meus sentimentos tão precoces. Pareceu meio bobo. Palavras comuns, usuais, corriqueiras. Verdadeiras. Apaguei. Deveria ter enviado. Você sorriria.
Sabe, eu queria ter um barco. Desses grandes cheio de velas meio antigos que me fizessem largar tudo e só ir, sem volta. Eu não sei se iria gostar de passar tanto tempo ali dentro olhando o mar sem alguma perspectiva de chegar e foda-se o mundo e tal mas você poderia vir comigo se quisesse. Eu queria ter um barco e eu queria que você viesse comigo. A gente poderia ficar ali conversando, eu te fazendo cafuné e você poderia ter quantas horas de sono quisesse sem se preocupar com nada porque não haveria mais nada. Eu poderia escrever, escrever sobre você, escrever sobre o mar, escrever sob você e o mar. Te escrever. Sem apagar, te descrever. Descrever esses teus medos tão iguais aos meus, acalmar teus monstros apresentando-os aos meus e os mandando nadar por aí e nos deixar em paz um pouco. A sós.
Sabe, às vezes eu penso nos dias que perdi sem falar desde o início o quanto você me encantou. Me apaixonei na primeira conversa e escondi isso por tantos seguidos instantes ao teu lado. Eu não queria que você fugisse. Mas você não fugiria. Eu hoje sei. Sabe, é verdade, quando eu saí da sua casa ela me perguntou “e aí como foi”, assim como me perguntava a cada noite que eu gastava o tempo com alguém idiota, e apesar de sempre receber um “ah nada demais”, naquela quinta-feira, já naquela primeira madrugada, é verdade, eu juro, de mim ela ouviu um “tô apaixonada”. Se você não fosse tão louco quanto eu, jamais te contaria isso, mas te conheço minimamente pra saber que você até sorriu com essa maníaca-informação. Viu, eu disse.
Sabe, eu queria ter um barco. Desses grandes cheio de velas meio antigos que me fizessem largar tudo e só ir, sem volta. Eu não sei se iria gostar de passar tanto tempo ali dentro olhando o mar sem alguma perspectiva de chegar e foda-se o mundo e tal mas você poderia vir comigo se quisesse. Eu queria ter um barco e eu queria que você viesse comigo. A gente poderia ficar ali conversando, eu te fazendo cafuné e você poderia ter quantas horas de sono quisesse sem se preocupar com nada porque não haveria mais nada. Eu poderia escrever, escrever sobre você, escrever sobre o mar, escrever sob você e o mar. Te escrever. Sem apagar, te descrever. Descrever esses teus medos tão iguais aos meus, acalmar teus monstros apresentando-os aos meus e os mandando nadar por aí e nos deixar em paz um pouco. A sós.
Sabe, às vezes eu penso nos dias que perdi sem falar desde o início o quanto você me encantou. Me apaixonei na primeira conversa e escondi isso por tantos seguidos instantes ao teu lado. Eu não queria que você fugisse. Mas você não fugiria. Eu hoje sei. Sabe, é verdade, quando eu saí da sua casa ela me perguntou “e aí como foi”, assim como me perguntava a cada noite que eu gastava o tempo com alguém idiota, e apesar de sempre receber um “ah nada demais”, naquela quinta-feira, já naquela primeira madrugada, é verdade, eu juro, de mim ela ouviu um “tô apaixonada”. Se você não fosse tão louco quanto eu, jamais te contaria isso, mas te conheço minimamente pra saber que você até sorriu com essa maníaca-informação. Viu, eu disse.
domingo, 24 de agosto de 2014
Assim
E você me chega e vem e ao mesmo
tempo em que está aqui na frente parado me olhando com esses seus olhos de quem
quer me descobrir você está também dentro de mim se delimitando em minhas
margens e estrangulando limites e chega mais pra cá.
Só me abraça e entende, entende
que eu te quero, não importa como nem quando nem onde e nem porque, eu só te
quero porque é assim que é. Pode ser amanhã ou pode ser agora, assim como foi
ontem, pode ser um telefonema lavado de álcool e sinceridade e medo, ou então
pode ser você chegando do nada ou então eu aparecendo de surpresa olha só, tô
aqui, pois é, eu vim. Pode ser. Ou pode ser uma chamada no vídeo enquanto você
faz qualquer coisa e eu te olho e meu deus que bom que eu te encontrei. Quem
sabe até mesmo um recado assim espontâneo que aparece no meu celular numa tarde
qualquer mostrando que você lembrou de mim e me fazendo sorrir porque olha só
que engraçado eu também estava pensando em você. Pode ser assim, pode ser
agora, pode ser amanhã mas de alguma forma você precisa saber que eu te quero
na minha vida.
Às vezes admito não saber se você
é de verdade mas tudo bem porque eu adoro viver uma mentira. Na minha mentira
em que você começa a me beijar na sala e a gente vai tropeçando até a cama e eu
quase caio e você me segura e ri. É dessa risada que eu to sentindo falta
agora. Do jeito que deitado você me olha e me segura e eu te beijo e você me
beija de volta e a gente se perde nos cobertores por que andou frio nesse mês.
Dessas verdades que eu chamo de mentiras e invento que não lembro pra parecer
menos real. Menos verdade. Porque a verdade é que você está longe, longe mas
bem dentro de mim. E precisa saber, moço, você precisa saber, é verdade, eu quero
você na minha vida.
domingo, 17 de agosto de 2014
Entre
Me pego trincando os dentes enquanto termino a quarta taça de vinho. Ouço tuas palavras e tua voz me invade os ouvidos como música. Tento me manter concentrada nas suas linhas de conto e não me perder nos meus pensamentos aceleradamente perturbadores que atropelam tudo que veem e querem ver pela frente. Você vem, senta do meu lado, ajeita meu cabelo atrás da orelha e me beija. Eu fecho os olhos e tudo gira. Tento manter os olhos abertos pra não me perder mais ainda nos seus lábios perfeitamente encaixados aos meus e, surpresa, franzo as sobrancelhas. O seu beijo. Há tempos não encontrava uma coisa assim.
Acordo um tempo depois na sua cama, nua, com você me abraçando. Com frio, me ajeito e você, meio dormindo, beija minhas costas e me puxa pra perto. Você é a pessoa mais incrível que conheci nos últimos tempos e por um curto momento tento esconder isso sob todas as circunstâncias que como aquelas propagandas indesejáveis da internet ficam pulando na minha mente uma atrás da outra. No entanto, parece tão certo. E exato. E eu não quero estar em nenhum outro lugar.
Nas entrelinhas do toque manso e cuidadoso, nos sorrisos que antecedem o desvio do olhar, cauteloso, é que encontro o instante. O agora. Há também as entrelinhas no suspiro, aquele que meio camuflado urge será-que-você-também-tá-sentindo-o-que-tô-sentindo-agora. Há entrelinhas nas palavras não ditas e nas quase ditas estacionadas na garganta por receio medo precaução. Maldito pedágio da razão. Talvez ainda não tenha tanta coragem de pagar, abandonar o troco ali mesmo e sair atropelando a cancela da língua.
Entrelinhas tão claras que não há mais entre. Apenas linhas, que me-ligam-te na mais leve simultaneidade do agora, do querer e do sim. Mas entre.
Acordo um tempo depois na sua cama, nua, com você me abraçando. Com frio, me ajeito e você, meio dormindo, beija minhas costas e me puxa pra perto. Você é a pessoa mais incrível que conheci nos últimos tempos e por um curto momento tento esconder isso sob todas as circunstâncias que como aquelas propagandas indesejáveis da internet ficam pulando na minha mente uma atrás da outra. No entanto, parece tão certo. E exato. E eu não quero estar em nenhum outro lugar.
Nas entrelinhas do toque manso e cuidadoso, nos sorrisos que antecedem o desvio do olhar, cauteloso, é que encontro o instante. O agora. Há também as entrelinhas no suspiro, aquele que meio camuflado urge será-que-você-também-tá-sentindo-o-que-tô-sentindo-agora. Há entrelinhas nas palavras não ditas e nas quase ditas estacionadas na garganta por receio medo precaução. Maldito pedágio da razão. Talvez ainda não tenha tanta coragem de pagar, abandonar o troco ali mesmo e sair atropelando a cancela da língua.
Entrelinhas tão claras que não há mais entre. Apenas linhas, que me-ligam-te na mais leve simultaneidade do agora, do querer e do sim. Mas entre.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Voou
Que teu sorriso se arque
com ou
sem minha presença
Mas que você nunca se esqueça ou despreze
quem,
primeiramente, ensinou-te a sorrir.
Em mim,
Em mim,
de mim,
Para
sempre.
sábado, 14 de junho de 2014
Também
E me brinca e me joga e me puxa e me agarra e segura e me
beija e me empurra e me sente.
E me olha e me ri me despreza e se rende e me prende e me
tem.
E me morde e aperta e joga e me toca e me faz estremecer
entre teus dedos teus lábios teu cheiro tua pele
Inteiro
Enfeitiça
Com os olhos a voz os efeitos cabelo o jeito o sorriso a lágrima
o aperto o estar a presença o amor e tudo que é de nós que existe no dolorido
espaço tão milimetricamente distante entre isso.
É tenso é instinto é intenso e belo e puro e revolto e cruel
e encanto.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
No nada não há não
Aqui te faço
e te faço agora, ontem e amanhã
e em cada momento que minha pele tocar a tua, seja qual dimensão
será.
Aqui.
Agora.
Essa tão tênue linha entre a saudade o toque o riso e o depois
a escuridão do depois
esse que mais ainda assombra os medos e mói sonhos.
Maldito.
E enquanto nossas lágrimas existirem separadamente juntas
simultâneas
cada uma em cada qual solidão
não aqui, mas agora,
faz-se nós.
Nós.
Nós enozados em nossa própria saudade,
aquela que criamos, alimentamos e que quase cresce e toma tudo.
E quando tomar tudo,
destruir tudo
e mergulhar no vazio do escuro que de tão caótico se amansa,
haverá nada.
No nada, meu bem, o que nos impede?
Nós.
Nós enozados em nós.
Tão atados transpassados firmemente entrelaçados,
nós.
e te faço agora, ontem e amanhã
e em cada momento que minha pele tocar a tua, seja qual dimensão
será.
Aqui.
Agora.
Essa tão tênue linha entre a saudade o toque o riso e o depois
a escuridão do depois
esse que mais ainda assombra os medos e mói sonhos.
Maldito.
E enquanto nossas lágrimas existirem separadamente juntas
simultâneas
cada uma em cada qual solidão
não aqui, mas agora,
faz-se nós.
Nós.
Nós enozados em nossa própria saudade,
aquela que criamos, alimentamos e que quase cresce e toma tudo.
E quando tomar tudo,
destruir tudo
e mergulhar no vazio do escuro que de tão caótico se amansa,
haverá nada.
No nada, meu bem, o que nos impede?
Nós.
Nós enozados em nós.
Tão atados transpassados firmemente entrelaçados,
nós.
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